segunda-feira, 10 de abril de 2017

Trump ajuda "jihadistas moderados" na Síria? Lembre-se de Maloula!


Estou mesmo intrigado com o ataque que o presidente Trump autorizou contra instalações do governo sírio e preocupado com as consequências negativas que isso possa gerar sobre as minorias cristãs na Síria. Lembre-se de Maloula. 
Uma das consequências da "Primavera Árabe" foi o fortalecimento e disseminação da Irmandade Muçulmana e do Wahabismo com a consequente criação de grupos jihadistas filiais da Al-Qaeda, e de alguns novos, sendo o mais notório deles o Estado Islâmico. Todos, porém, compartilham da mesma ideologia!

O apoio do governo dos EUA (administração de Barack Hussein Obama) à Irmandade Muçulmana levou a que esta detivesse o poder no Egito, por cerca de um ano e meio (durante o qual os cristãos coptas foram cruelmente perseguidos), bem como a tribalização da Líbia (repartida por grupos jihadistas) e a guerra civil na Síria.

O Oriente Médio é uma região tremendamente influenciada pela ideologia islâmica na sua mais cruel pureza. Alguns líderes recentes, nenhum deles santos, tinham conseguido manter esta ideologia pelo cabresto: Sadam Hussein e os al-Assad (o pai, Hafez, e o filho Bashar). Cruéis contra os seus opositores, dentro deles os jihadistas, eles defendiam as minorias, e mantinham os seus países estáveis. Tanto Iraque quanto Síria possuíam uma minoria cristã significativa, algo entre 10% da população. Todos nós sabemos o que aconteceu com os cristãos do Iraque como consequência da derrubada de Sadam Hussein: o inferno se instalou. Dos 2 milhões de cristãos no Iraque, hoje restam menos de 200 mil. O resto foi expulso, morto ou fugiu.

Na Síria, os grupos anti-Assad são todos jihadistas. O governo dos EUA estava fornecendo armas para alguns deles, chamando-os (advinhem) de "moderados." Isso não existe! Todos os lugares que estes grupos jihadistas "moderados" conquistaram, os cristãos foram perseguidos implacávelmente. Isso segue o chamado de diversos clérigos, como Sa'ad Ateeq al-Ateeq que conclamou pela destruição dos cristãos (e dos infiéis xiítas, alauítas e judeus) durante pregação na Mesquita Imam Muhammad ibn Abd al-Wahhab.

Em 2011, a Síria caiu em um estado de guerra civil. Os rebeldes anti-Assad, que lutavam para derrubar Bashar Assad, tinham o apoio da CIA (dirigida de janeiro de 2013 a janeiro de 2017 pelo muçulmano pró-saudita John Brennan), além do apoio ostensivo da Arábia Saudita (que deseja completar a construção de um gasoduto pela Síria além de ampliar a área de influência do wahabismo) e da Turquia de Erdogan (que deseja aumentar a área de influência da Turquia dentro do seu sonho megalomaníaco de reviver o Império Otomano).

Estes rebeldes "moderados" que a CIA vem treinando e coordenando conquistou várias regiões da Síria. O maior grupo dentre eles é a Al-Nusra. A Al-Nusra é absolutamente selvagem e coligada com a Al-Qaeda, a tal ponto de muitos analistas considerarem Al-Nusra como Al-Qaeda. A Al-Nusra também tem ligações com o Estado Islâmico, por exemplo, material bélico dos EUA destinado a Al-Nusra tem sido usado pelo Estado Islâmico, bem como existe troca de jihadistas entre os dois grupos.

Para limpar a sua imagem, a Al-Nusra mudou seu nome para Fatah al-Sham. Mas continua sendo Al-Nusra pois o conteúdo é o mesmo.

Em 2014 a Al-Nusra conquistou a cidade de Khan Shekun e tem mantido o seu controle desde então.

No dia 4 de abril Bashar al-Assad mandou aviões da força aérea síria, situados na base militar de Shayrat, bombardear instalações da Al-Nusra em Khan Shekun que, dentre outras coisas, armazenava e produzia armas químicas. A Al-Nusra já havia usado armas químicas contra bairros cristãos anteriormente.

A reação da Al-Nusra a este bombardeio foi a de liberar vídeos mostrando adultos e crianças mortos pela ação de gás sarin, acusando o governo sírio por suas mortes.

A reação do presidente Trump foi a de, unilateralmente, atacar a base militar de Shayrat com 59 mísseis tomahawk, mesmo com o risco de atingir instalações militares russas.

A reação de Trump foi positiva para ele em termos políticos. Ele mostrou uma determinação e liderança que o seu predecessor, Barack Hussei Obama, nunca teve. E até mesmo muitos dos seus ferrenhos opositores o elogiaram. E ele também quebrou a acusação por parte da oposição de que ele está em conluio com o governo russo. Para Trump, os 59 míssies foram "fogos de artifício" para fortalecê-lo domésticamente.

Mas, existe o conflito entre duas narrativas. Por um lado a Al-Nusra, e sua rede de apoiadores, propagando a idéia de que Bashar al-Assad cometeu um crime contra a humanidade. Por um outro, o governo sírio e a Rússia acusando a Al-Nusra pelas mortes.

Talvez nunca venhamos a saber o que realmente ocorreu. Tanto Assad como os rebeldes têm acesso a armas químicas. Contudo, ficam as dúvidas. Por que o governo sírio iria usar gás sarin, contrariando um acordo anterior de destruir os seus estoques, em um momento do conflito em que o governo está derrotando os rebeldes? Será que a Al-Nusra seria capaz de usar gás sarin contra a população que a apoia (muito embora eles usem esta mesma população como escudo, além do fato deles "amarem a morte mais do que a vida")?

O que resta após tudo isso? O conflito humano. E a minha preocupação particular é com respeito às minorias na Síria, minorias estas que os sunitas salafistas e wahabistas desejam ver destruídas ou subjugadas, dentre elas as minorias cristãs.

Entre os "jihadistas moderados" e Bashar al-Assad, eu fico com o segundo. Lembre-se de Maloula (setembro de 2013).


Destruição e morte na cidade cristã de Maloula durante a sua ocupação pelos "jihadistas moderados" apoiados pelo ex-presidente dos EUA Hussein Obama

As lideranças cristãs da Síria reagiram negativamente aos mísseis dos EUA. Por exemplo, tanto o Patriarca Católico Siríaco Ignace Joseph Younan quando o Bispo do rito católico latino de Alepo Georges Khazen, declararam a sua preocupação. Eles sabem se os "rebeldes moderados" tomarem o poder será o fim do cristianismo na Síria (NRC).

Vale relembrar o testemunho da irmã Maria Guadalupe Rodrigo, sobre a guerra civil na Síria e sobre a atitude do governo sírio para com os cristãos.

irmã Maria Guadalupe Rodrigo


Nenhum míssil tomahawk pelas crianças de Maloula e al-Duvair

Maloula, a cidade cristã onde ainda se fala o aramáico

Bashar al-Assad visita uma das inúmeras igrejas destruídas pelos "rebeldes moderados"


Um comentário:

Anônimo disse...

Sinceramente acho que a Russia e o governo Sírio quiseram testar Trump,quanto ao texto também concordo que o melhor mesmo é o atual governante ficar no poder não adianta, islamistas principalmente os do Oriente Médio só são controlados pela força mesmo.